Identidade (João Branquinho)

Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica (2020)
Ricardo Santos e Pedro Galvão (eds.)
Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Discutimos neste artigo um conjunto de questões filosóficas salientes acerca do conceito de identidade, ou melhor, do conceito de identidade numérica ou estrita. Em particular, lidamos com questões do seguinte género acerca da identidade. De que género de relação se trata? É uma relação objectual, não mediada, que se estabelece directamente entre objectos dados? Ou é uma relação necessariamente mediada, que se estabelece primariamente entre expressões linguísticas, conceitos ou categorias, e apenas derivadamente entre os objectos denotados por essas expressões ou subsumidos nesses conceitos (categorias)? Se a identidade é algo que se estabelece apenas entre cada objecto e ele próprio, como é que então se trata de uma relação? Como é que se pode ter uma relação que tenha um só termo, uma relação com um único relata? Qual é o papel desempenhado por princípios como a Indiscernibilidade de Idênticos e a Identidade de Indiscerníveis na determinação do conceito de identidade? São estes princípios verdades? São eles princípios constitutivos da identidade? Qual é a estrutura modal da identidade? É uma relação contingente, na qual objectos de facto estão mas poderiam não ter estado se as circunstâncias fossem outras? Ou é uma relação interna, não contingente, que se estabelece, ou não se estabelece, com carácter de necessidade?

Palavras-chave: identidade estrita, indiscernibilidade de idênticos, identidade de indiscerníveis, lei da substituição, necessidade da identidade.
This paper discusses a set of basic philosophical issues about the concept of identity, or rather the concept of numerical or strict identity. In particular, issues of the following kind are dealt with. What sort of relation is identity? Is it an unmediated relation, a relation which holds directly between given objects? Or is it a necessarily mediated relation, a relation which primarily holds between linguistic expressions, concepts or sorts, and only derivatively between the objects denoted by such expression or falling under such concepts or sorts? If identity is something that only holds between an object and itself, then how can it be a relation? How can we have a relation with only one term, a relation with one relata? What is the role (if any) played by some such principles as the indiscernibility of identicals and the identity of indiscernibles in characterising the concept of identity? For one thing, are those principles even true? And if so, are they constitutive of strict identity? What is the modal structure of identity? Is it a contingent relation, a relation in which objects actually are but might not have been under appropriately different circumstances? Or is it an internal, non contingent relation, a relation which necessarily holds when it holds, and necessarily does not hold when it does not hold?

Keywords: strict identity, indiscernibility of identicals, identity of indiscernibles, substitutivity, necessity of identity.

Conteúdo

1. Identidade estrita
2. Indiscernibilidade de idênticos
3. Substituição de Idênticos
4. Haverá contra-exemplos à indiscernibilidade de idênticos?
5. Identidade de indiscerníveis
6. Não contingência
7. Identidade absoluta

DOI: https://doi.org/10.51427/cfi.2021.0084