Fiabilismo (Ernesto Perini-Santos)

Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica (2018)
Ricardo Santos e Pedro Galvão (eds.)
Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
A tese central do fiabilismo é que uma crença verdadeira é
conhecimento apenas se foi produzida por um mecanismo que tende a
gerar crenças verdadeiras. Como tanto o processo que gera uma dada
crença quanto sua propensão a produzir crenças verdadeiras podem
não ser apreendidos pelo sujeito a quem se atribui o conhecimento,
o fiabilismo é uma teoria externista. A principal fonte de críticas ao
fiabilismo reside precisamente na desvinculação entre o que torna
crenças meramente verdadeiras conhecimento e a perspectiva do
sujeito. As diferentes versões do fiabilismo são diferentes respostas a
esta crítica, quer pela aproximação com as ciências cognitivas e com
o projeto naturalista, quer pela proposição de uma epistemologia da
virtude.

Palavras-chave: Fiabilismo, epistemologia, externismo, epistemologia da virtude,
naturalismo
The central claim of reliabilism is that a true belief counts as knowledge
only if it has been generated by a mechanism that tends to produce
true beliefs. Reliabilism is an externalist theory, since both the process
generating any given belief and its tendency to lead to true beliefs may
not be apprehended by the subject to which knowledge is attributed.
The central criticism to reliabilism is precisely that what distinguishes
mere true belief from knowledge may be external to the subject’s
perspective. The responses to this criticism lead to different versions
of reliabilism, either moving towards cognitive science and a naturalist
project or proposing a virtue epistemology.

Keywords: Reliabilism, epistemology, externalism, virtue epistemology,
naturalism

Conteúdo

1 Introdução

2 Articulando o Fiabilismo

3 As críticas ao Fiabilismo

4 Uma resposta fiabilista: a epistemologia da virtude

5 Uma outra resposta fiabilista: o caminho para a naturalização

6 Conclusão